O risco de engasgo em pessoas idosas é um problema de saúde frequente, grave e ainda pouco discutido. Com o envelhecimento, ocorrem alterações naturais no sistema de deglutição, condição conhecida como presbifagia, que tornam o ato de engolir mais lento, menos coordenado e menos eficiente. Além disso, fatores como disfagia, doenças neurológicas, problemas dentários, uso de próteses mal adaptadas e perda de força muscular na faringe aumentam significativamente o risco de engasgos e aspiração de alimentos (Aguiar et al., 2026).
Muitas vezes, sinais como tosse durante as refeições, dificuldade para engolir água, saliva ou alimentos secos são vistos como algo “normal da idade”, quando, na verdade, podem indicar alterações importantes na deglutição. Em idosos com doenças como Doença de Parkinson, demências ou sequelas de Acidente Vascular Cerebral, esse risco torna-se ainda maior. Apesar disso, os episódios de engasgo em idosos continuam amplamente subnotificados e recebem menos atenção social do que em outras faixas etárias, o que contribui para a falta de preparo de familiares e cuidadores diante dessas emergências (Aguiar et al., 2026).
O engasgo pode levar à asfixia, pneumonias aspirativas, desnutrição e até à morte quando não reconhecido e tratado rapidamente. Por isso, é fundamental ampliar a conscientização sobre o tema, incentivar o diagnóstico precoce da disfagia e adotar medidas preventivas, como acompanhamento multiprofissional, adaptação da alimentação, atenção ao ambiente durante as refeições e orientação adequada aos cuidadores. Cuidar da deglutição é também preservar a saúde, a autonomia, a segurança e a qualidade de vida da pessoa idosa (Aguiar et al., 2026).
Além das medidas preventivas, é essencial que familiares, cuidadores e profissionais de saúde saibam como agir diante de um episódio de engasgo. Nesses casos, a manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros fundamental, pois ajuda a desobstruir as vias aéreas por meio de compressões abdominais rápidas e firmes. Quando realizada corretamente e de forma imediata, ela pode salvar vidas e reduzir complicações graves decorrentes da asfixia. Entretanto, em pessoas idosas, a aplicação da manobra deve ser feita com cuidado, considerando possíveis fragilidades físicas e condições de saúde associadas. Dessa forma, conhecer os sinais de engasgo e aprender técnicas básicas de atendimento de emergência torna-se uma importante estratégia de proteção, segurança e cuidado com a população idosa.
Referências:
AGUIAR, Renan Scandian; FACCIN, Guido Moura; SEIBERT, João Pedro M.; NUNES, Daniel Santos; CARVALHO, Júlio César Monteiro; RIZO, Walace Fraga. PREVENÇÃO E MANEJO DO ENGASGO EM IDOSOS: EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA COMUNIDADE. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 1–11, 2026. DOI: 10.51891/rease.v12i1.23604. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/23604. Acesso em: 7 maio. 2026
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