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Acompanhe como foi a discussão de março do Clube do Livro da ACACEF sobre O Quinze, de Rachel de Queiroz

O Quinze, de Rachel de Queiroz – Publicado em 1930

Clube do livro 20 de março de 2025 (quinta-feira)

Sobre a autora

Rachel de Queiroz (1910-2003) foi uma escritora cearense e a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Publicou O Quinze aos 19 anos, marcando o início de uma trajetória literária de grande relevância. Seu romance de estreia, inspirado na grande seca de 1915, retrata com profundidade as dificuldades do sertanejo nordestino.

Discussão sobre a obra

No último encontro do Clube do Livro, debatemos O Quinze, de Rachel de Queiroz, e iniciamos a conversa abordando os relacionamentos na história, em especial o vínculo entre Conceição e Vicente. Discutimos como o orgulho e a falta de comunicação impedem que esse amor se concretize, destacando o impacto dessas barreiras emocionais e a importância de expressar sentimentos nas nossas relações com nossos pares.

Nos aspectos sociais da obra, refletimos sobre a fome, a miséria e a seca que assolam o Norte e o Nordeste do Brasil. Apesar dos avanços ao longo dos anos, ainda persistem profundas desigualdades que remontam a um histórico de carências e dificuldades estruturais enfrentadas pela população dessas regiões.

Outro ponto relevante foi a passagem em que a protagonista, movida pelo ciúme, usa expressões racistas para se referir a uma personagem negra. Esse trecho nos levou a uma discussão sobre o racismo estrutural e suas raízes históricas, considerando que a escravidão havia sido abolida apenas 27 anos antes da trama. Analisamos como essas marcas ainda reverberam na sociedade brasileira e como a obra reflete mentalidades da época.

Também discutimos o contexto conservador presente na narrativa. Embora os valores e costumes retratados evidenciem o papel submisso das mulheres naquele período, Conceição se destaca como uma personagem progressista para sua época. Professora, independente e decidida a não se casar (apesar do amor por Vicente) ela desafia expectativas ao sair sozinha e ao tomar as rédeas de sua própria vida. Outro ponto debatido foi a presença do quarto da empregada na casa de Conceição e Dona Inácia, um elemento que evidencia aspectos culturais profundamente enraizados no Brasil.

Por fim, conversamos sobre o papel da religião para aquela população. Em meio à miséria e às dificuldades, a fé surge como um alicerce para seguir acreditando que a vida vale a pena. A religiosidade aparece na obra como uma força que mantém a esperança viva mesmo diante da adversidade.

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